O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Conhecer os sinais de alerta, adotar hábitos saudáveis e manter os exames em dia são medidas importantes para cuidar da saúde das mamas.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença continua sendo um desafio para a saúde pública.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. A estimativa corresponde a um risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
Diante desse cenário, a informação é uma aliada importante. Reconhecer possíveis sinais, conhecer os fatores de risco e buscar atendimento diante de alterações suspeitas pode contribuir para a identificação da doença em fases iniciais.
Quais são os sintomas do câncer de mama?
O câncer de mama pode provocar alterações perceptíveis nas mamas. No entanto, nem todos os casos apresentam sinais evidentes no início.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Nódulo na mama: especialmente quando é endurecido, fixo ou aumenta de tamanho.
- Alterações na pele: como retração, feridas que não cicatrizam ou aspecto semelhante à casca de laranja.
- Mudanças no mamilo: incluindo retração ou alteração recente do formato.
- Secreção espontânea: principalmente quando apresenta sangue e sai de apenas um dos mamilos.
- Alterações na região das axilas: como o aparecimento de pequenos nódulos.

Esses sinais não significam necessariamente a presença de câncer. Ainda assim, precisam ser avaliados por um profissional de saúde, sobretudo quando são novos ou persistentes.
Além disso, não é necessário esperar o aparecimento de um caroço para procurar atendimento. Alterações suspeitas devem ser investigadas, mesmo quando não provocam dor.
Como prevenir o câncer de mama?
Não existe uma maneira de evitar todos os casos de câncer de mama. Isso acontece porque a doença tem múltiplas causas, incluindo fatores que não podem ser modificados, como a idade e a predisposição genética.
Por outro lado, alguns hábitos podem reduzir o risco. De acordo com o INCA, cerca de 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis.
Entre as principais medidas estão:
- Praticar atividade física: manter uma rotina ativa contribui para a saúde geral e ajuda a reduzir o risco da doença.
- Manter um peso corporal adequado: o excesso de gordura corporal está associado ao aumento do risco, especialmente após a menopausa.
- Evitar bebidas alcoólicas: o consumo de álcool está relacionado a um maior risco de câncer de mama.
- Amamentar, quando possível: a amamentação é considerada um fator de proteção.
- Manter o acompanhamento de saúde: consultas regulares ajudam a avaliar fatores de risco e a orientar os cuidados necessários.
É importante lembrar que essas medidas reduzem riscos, mas não garantem que a doença não se desenvolva. Por isso, mesmo quem mantém hábitos saudáveis precisa estar atento às alterações nas mamas e seguir as recomendações de rastreamento.
Mamografia e diagnóstico precoce: qual é a diferença?
A mamografia é um exame de imagem capaz de identificar alterações suspeitas antes mesmo de elas provocarem sintomas. Por isso, tem papel importante no rastreamento do câncer de mama.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, quando não existem sinais ou sintomas suspeitos.
Já quando há alguma alteração, o atendimento médico pode indicar exames diagnósticos independentemente da idade. Pessoas com histórico familiar importante ou outros fatores de risco também devem conversar com um profissional de saúde para avaliar a necessidade de acompanhamento individualizado.
Além disso, conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças. Não é necessário seguir uma técnica específica ou fazer um autoexame em datas determinadas: a orientação é observar as mamas no cotidiano e procurar atendimento diante de alterações incomuns.
O diagnóstico precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento menos agressivo e melhorar o prognóstico. Entretanto, nenhum exame oferece garantia absoluta de detecção, e a investigação de sintomas continua sendo necessária mesmo após uma mamografia recente com resultado normal.
O papel da informação e do cuidado contínuo

O câncer de mama não deve ser lembrado apenas durante o Outubro Rosa. A atenção à saúde precisa fazer parte da rotina, com acesso à informação, acompanhamento adequado e investigação oportuna de possíveis sinais.
Nesse processo, os profissionais de enfermagem também têm um papel importante na educação em saúde, no acolhimento, na orientação sobre prevenção e na identificação de situações que precisam de avaliação.
Por fim, cuidar da saúde das mamas significa olhar para além de uma campanha ou de um exame isolado. É manter o acompanhamento, esclarecer dúvidas e buscar atendimento quando algo mudar.
Informação, prevenção e diagnóstico precoce são aliados importantes na luta contra o câncer de mama.
Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.