O número de internações por asma no Brasil cresceu 63% entre 2020 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Além disso, o dado chama atenção para uma doença que afeta cerca de 20 milhões de brasileiros. Apesar de ter controle, ela ainda é tratada de forma inadequada pela maioria dos pacientes.
Da mesma forma, levantamento publicado no Journal of Asthma mostra que apenas 12% dos pacientes estão com a doença bem controlada. Outros 36% têm controle parcial e, por outro lado, mais da metade, 51%, vivem com asma não controlada — um cenário que aumenta significativamente o risco de crises graves e hospitalizações.
Por que o inverno concentra os maiores riscos

O frio funciona como um gatilho direto para quem já convive com inflamação crônica nas vias aéreas. Segundo Hedi Marinho, pneumologista e professora da Afya Unigranrio, em declaração ao site do médico Drauzio Varella, o mecanismo é bem definido: “A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas. Quando o paciente entra em contato com ar frio, seco ou com agentes irritantes, ocorre uma resposta exagerada dos brônquios, que passam a se contrair e produzir mais secreção. É isso que provoca sintomas como chiado, aperto no peito, tosse e dificuldade para respirar.”
Além do frio, o inverno também favorece comportamentos que ampliam a exposição aos desencadeadores das crises. Manter portas e janelas fechadas reduz a circulação de ar e facilita o acúmulo de poeira, fungos e ácaros, um dos principais gatilhos da doença. Da mesma maneira, as infecções respiratórias, mais frequentes no período frio, também contribuem para a descompensação do quadro.
Prevenção começa nos hábitos do dia a dia

Cristina Abud, alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, lista medidas que ajudam a reduzir o risco de crises durante o inverno: manter os cômodos arejados, usar umidificador de ar, agasalhar-se bem para evitar choques de temperatura, fazer lavagem nasal e manter uma boa hidratação. Além disso, não fumar, ter alimentação saudável, praticar atividade física e manter as vacinas de gripe e Covid-19 em dia também estão entre os cuidados recomendados.
No entanto, o ponto central, segundo as especialistas, é não depender só das medidas preventivas. Um dos erros mais comuns é buscar atendimento apenas quando a crise já está instalada. “A asma é uma doença que exige controle contínuo. O paciente não deve esperar sentir falta de ar para se preocupar com o tratamento. O acompanhamento regular e o uso correto das medicações preventivas reduzem significativamente o risco de crises graves e de internações”, afirma Marinho, também ao site de Drauzio Varella.
Tratamento existe e o SUS oferece acesso gratuito
O tratamento da asma combina medicamentos de controle, usados de forma contínua para prevenir crises, e medicamentos de alívio, indicados quando os sintomas aparecem. Entre eles, os corticoides inalatórios estão entre as principais opções. Além disso, o SUS disponibiliza medicações para asma pelo programa Farmácia Popular, o que torna o acesso ao tratamento viável para grande parte da população.
Para Abud, o tratamento precisa ser individualizado e mantido mesmo na ausência de sintomas: “O tratamento depende do tipo de asma que você apresenta: leve, moderada ou grave, e se é alérgica ou não. Ele deve ser corretamente realizado, pois a asma pode ser fatal se não bem tratada.”
Nesse cenário, a COOENF reforça que o papel da enfermagem é central nesse cenário: na orientação ao paciente, no acompanhamento do uso correto das medicações e na identificação precoce de sinais de descompensação. Assim, cuidar de quem tem asma é também garantir que o tratamento não pare quando os sintomas somem.