A Enfermagem é a base viva do Sistema Único de Saúde (SUS). Presente em todos os territórios, turnos e níveis de atenção, a categoria sustenta o cuidado contínuo que chega diariamente a milhões de brasileiras e brasileiros.
Em um sistema universal como o SUS, fortalecer a Enfermagem é fortalecer a própria capacidade do Estado de cuidar da população. Nos últimos anos, o SUS tem passado por um processo consistente de reconstrução e fortalecimento, com ampliação de investimentos, expansão da Atenção Primária, incorporação de tecnologias e valorização das equipes multiprofissionais.
Nesse cenário, iniciativas de cooperação entre instituições, como o avanço do Acordo de Cooperação Técnica entre o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Ministério da Saúde, representam um passo estratégico para qualificar o cuidado e enfrentar desafios históricos da saúde pública.
A força da Enfermagem que sustenta o SUS

Dados recentes confirmam aquilo que a prática cotidiana já demonstra: a Enfermagem é a maior força de trabalho da saúde no Brasil. Um estudo nacional lançado pelo Ministério da Saúde em 2025, aponta que o setor público concentra mais de 60% dos vínculos profissionais da Enfermagem, evidenciando o papel central da categoria na sustentação do SUS.
Entre 2017 e 2022, os postos de trabalho em Enfermagem cresceram cerca de 44%, alcançando aproximadamente 1,5 milhão de vínculos em todo o país.
Esse crescimento acompanha a expansão dos serviços, especialmente na Atenção Primária, onde enfermeiras, enfermeiros, técnicas e técnicos são responsáveis por grande parte das ações de prevenção, vigilância, acompanhamento de doenças crônicas e cuidado contínuo.
Parcerias que ampliam a capacidade de cuidado
O diálogo entre o Cofen e o Ministério da Saúde, materializado na construção de um Acordo de Cooperação Técnica, reconhece esse papel estratégico da Enfermagem. A iniciativa prevê ações articuladas de formação profissional, desenvolvimento de diretrizes assistenciais, inovação tecnológica e fortalecimento da atuação nos territórios, especialmente em municípios com maior carga de doenças socialmente determinadas.
Projetos como “Enfermagem por um Brasil Saudável” colocam a categoria no centro das estratégias de enfrentamento ao HIV, à tuberculose, às hepatites virais e a outras infecções sexualmente transmissíveis.
Ao priorizar territórios mais vulneráveis, a proposta reforça que cuidar bem exige conhecer o território, criar vínculo e atuar de forma contínua, atributos historicamente construídos pela Enfermagem no SUS.
SUS em movimento: avanços concretos no Brasil e no Paraná

O Governo do Paraná investiu R$6,52 bilhões em saúde em 2024, superando o mínimo constitucional. Além disso, foram anunciados novos aportes que somam R$1,1 bilhão em 2026, com foco em cirurgias eletivas, telessaúde, saúde materno-infantil e ampliação do acesso a exames e diagnósticos. Programas como o “Opera Paraná” já somam mais de 687 mil cirurgias realizadas pelo SUS, reduzindo filas e devolvendo qualidade de vida à população.
No Paraná, esses avanços se traduzem em 94% de cobertura da Atenção Primária, com mais de 2.800 equipes de Saúde da Família atuando nos 399 municípios. Apenas no primeiro semestre de 2025, as Unidades Básicas de Saúde realizaram mais de 29 milhões de atendimentos, grande parte deles conduzidos por profissionais de Enfermagem.
O financiamento da Atenção Primária à Saúde, que aumentou de forma significativa, com um crescimento de mais de 30% em 2024, permitiu a criação de milhares de novas equipes multiprofissionais e a ampliação da Estratégia Saúde da Família.
Esses resultados mostram que, quando há investimento, gestão e profissionais valorizados, o SUS responde.
Cooperação, Enfermagem e futuro do cuidado

Para a COOENF, esses movimentos nacional e estadual dialogam diretamente com os princípios do cooperativismo.
Acreditamos que ninguém cuida sozinho e que o cuidado em saúde se fortalece quando é construído em rede, combinando esforços entre instituições, gestores e, principalmente, profissionais.
Valorizar a Enfermagem, investir em formação, criar ambientes de trabalho mais justos e apoiar modelos cooperativos são estratégias que ampliam a capacidade de resposta do SUS e qualificam o cuidado prestado à população.
Fontes: Ministério da Saúde (gov.br) | Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (saude.pr.gov.br) | Relatórios de Gestão do SUS | Demografia da Enfermagem – MS/Cofen.